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Como a cocaína e as anfetaminas agem no cérebro?

As substâncias que agem no cérebro, provocando alteração nas funções mentais, conseguem esse efeito modificando a comunicação entre as células cerebrais chamadas neurônios. Dessa forma, as drogas usadas abusivamente alteram as funções como o raciocínio, as emoções e os sentidos da visão e audição. Assim, a cocaína e as anfetaminas agem interferindo na comunicação entre os neurônios. Um dos efeitos dessas drogas é estimular o sistema de recompensa cerebral, aquele sistema que é ativado naturalmente quando o indivíduo faz alguma coisa agradável ou tem uma experiência gratificante que provoca a sensação de satisfação. Como a cocaína e as anfetaminas ativam rapidamente esse sistema, elas provocam uma sensação de bem-estar. Também é a ação nesse sistema que faz com que o indivíduo inicie o uso dessas substâncias e, então, com a sua repetição desencadeia a dependência.

Riscos | dependência | overdose

O uso da cocaína e das anfetaminas pode levar à dependência, ou seja, à perda do controle sobre o uso, apesar dos prejuízos produzidos. Quando essas substâncias são administradas entre poucos segundos (quando fumadas) ou minutos (se injetadas ou cheiradas) 10 a 15 segundos após o uso começam as alterações das funções mentais e outros efeitos físicos. No Brasil, a principal forma de uso das anfetaminas é por via oral, tendo um início de ação mais lento e um efeito que dura cerca de 8 a 10 horas. A chance de induzir dependência fica muito maior (potencial de abuso) quando o tempo para início do efeito é rápido e a duração do efeito é curta. Exatamente o que acontece com o crack (grande problema no Brasil) e o ice/cristal (grande problema nos EUA).

O uso da cocaína durante a gravidez pode provocar retardo do desenvolvimento do feto e até a sua morte;

O uso injetável da cocaína ou das anfetaminas traz o risco de transmissão de doenças como a Aids e as formas B e C da Hepatite.

Além dos danos relatados, transtornos psiquiátricos podem ser induzidos pelo uso da cocaína. Quadros como ansiedade e depressão podem ocorrer mesmo com pouco tempo de uso moderado. Após o uso em maiores quantidades, durante mais tempo e principalmente sob forma injetável ou fumada, quadros mais graves, como as psicoses, podem ocorrer. A maioria destes quadros é revertida com a cessação do uso.

Tratamento:

O uso pontual de medicações pode ser necessário para o tratamento de quadros de intoxicação e abstinência de cocaína ou anfetaminas. Algumas vezes, é necessário medicar os quadros psíquicos associados (comorbidades), quer tenham surgido antes ou depois do início do uso da droga.

Com relação ao  crack dentro de uma perspectiva psicossocial, é importante reforçar que a abordagem ao usuário deve considerar não somente os sintomas e os efeitos da droga no seu corpo e psiquismo, mas também os fatores sociais e culturais presentes em seu contexto, que, em algumas situações, podem se configurar como fatores de risco e, em outras, como fatores de proteção para o uso de crack. O desafio dos profissionais da área de saúde se situa na capacidade de olhar o usuário de forma integral, compreendendo o seu contexto social e identificando as situações de vulnerabilidade às quais está exposto, para que, assim, seja possível otimizar as potencialidades e minimizar os riscos.

Fonte: Curso Supera/Senad  Edição 11

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